PED Av Recém Nascido

 

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SDR:

A diabetes materna aumenta a incidência de SDR, uma vez que atrasa a maturação do surfactante pulmonar devido à hiperglicemia materna, já que esta causa hiperglicemia fetal, o que por sua vez desencadeia um estado de hiperinsulinismo fetal. A presença de níveis elevados de insulina circulante antagoniza a ação do cortisol e bloqueia a maturação da esfingomielina, um componente vital do surfactante pulmonar.


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A hérnia umbilical congénita é causada pelo encerramento incompleto dos músculos retos abdominais ao redor do anel umbilical. É a patologia umbilical mais frequente em lactentes. Pode estar associada ao hipotiroidismo e às síndromes de Ehlers-Danlos, Beckwith-Wiedemann e Down, mas também é frequente em recém-nascidos saudáveis. O exame físico mostra uma protuberância mole e redutível com projeção aquando esforço, como por exemplo durante o choro. Pode conter omento ou ansas de intestino delgado. A maioria das hérnias umbilicais apresentam risco muito baixo de encarceramento e estrangulamento. O encerramento é espontâneo durante os primeiros 4 anos de vida. Se o diâmetro for superior a 1,5 cm, pode ser necessário encerramento cirúrgico a partir dos 2 anos. A vigilância é a abordagem inicial mais adequada.

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Este caso clínico sugere fortemente a presença de uma obstrução esofágica. Tipicamente, os sintomas manifestam-se imediatamente após a primeira alimentação, com vómitos/regurgitação, incapacidade de tolerar a alimentação, tosse e sialorreia (devido às excessivas secreções na orofarige pela dificuldade em engolir) . A atrésia do esófago (AE) está associada a uma interrupção no desenvolvimento normal do esófago fetal durante a gestação. Os recém nascidos com esta anomalia congénita tornam-se sintomáticos logo nas primeiras horas de vida.

A presença de polidrâmnios na gravidez é um forte indício desta condição, pois sugere que o líquido amniótico não estava a ser adequadamente digerido pelo feto, levando à sua acumulação. Além disso, a radiografia abdominal confirma a ausência de gás no trato gastrointestinal, o que é consistente com a atrésia do esófago (Opção B), sem a presença de fístula traqueoesofágica.

O diagnóstico de AE pode ser confirmado com a tentativa de introdução da sonda naso-gástrica (SNG). Nos doentes com esta anomalia a sonda não pode ser inserida mais do que aproximadamente 10 a 15 cm. Este achado pode ser confirmado com uma radiografia anterior-posterior que mostra o cateter enrolado. Dada a associação da atrésia do esófago com outras malformações congénitas (Síndrome VACTERL - malformações vertebrais, anais, cardíacas, traqueo-esofágicas, renais e dos membros (limbs)), também deve ser realizada uma ecografia cardíaca e renal, para exclusão das mesmas.

A terapêutica passa pela colocação de uma SNG em aspiração contínua, elevação da cabeceira da cama, parar alimentação oral a partir do momento em que há suspeita de atrésia do esófago e encaminhar para cirurgia nas primeiras 24hs de vida.

(Opção A) A atrésia duodenal tipicamente apresenta-se com vómitos biliares (se obstrução distal à papila duodenal), distensão do abdómen superior e abdómen inferior escafóide, associado ou não a atraso da passagem de mecónio. Embora a ausência de gás intestinal distal seja um achado consistente com a atrésia duodenal, esta condição está associada à presença do sinal da dupla bolha na radiografia, a qual se forma pelo acumular de líquido no estômago e duodeno. Neste caso, este achado radiográfico não está presente e a clínica não é a mais consistente com este diagnóstico.

(Opção C) A fístula traqueoesofágica (FTE) ocorre normalmente associada a atrésia esofágica. A presença de AE com FTE distal é o tipo de apresentação mais comum destas anomalias congénitas. A ausência de ar no trato gastrointestinal é sugestivo da ausência de FTE, tornando esta hipótese menos provável.

(Opção D) A presença de uma fístula traqueoesofágica (FTE) isolada é mais rara, podendo dar sintomas nos primeiros dias de vida com tosse e episódios de engasgamento associados à aspiração do leite pela fístula, ou até apenas pneumonias de repetição por aspiração em idade mais tardia. A clínica do doente com vómitos e a ausência de gás no trato gastrointestinal tornam esta hipótese menos provável.

(Opção E) Uma malrotação intestinal caracteriza-se pela paragem da rotação intestinal in utero, pelo que o intestino médio e o mesentério ficam mal posicionados no abdómen; isto pode dar origem a um vólvulo, que ocorre aquando da torção do intestino médio malrodado, originando uma obstrução intestinal mecânica que rapidamente pode evoluir para necrose. Estes casos apresentam-se como obstrução duodenal aguda, associada a compromisso intestinal grave (distensão abdominal e vómitos biliares), que rapidamente pode evoluir para necrose intestinal com hematoquézias e atingimento sistémico (hipotensão, febre e taquicardia). A radiografia abdominal é geralmente normal, apresentando apenas alterações em casos de perfuração ou de obstrução duodenal (sinal da dupla-bolha). O melhor método de diagnóstico é o trânsito esofagogastroduodenal contrastado que mostra o contraste duodenal em saca-rolhas.

Objetivo educacional: A atresia esofágica é uma malformação do trato gastrointestinal que pode surgir associada a outras anomalias gastrointestinais e extraintestinais. Pode ocorrer por si só ou em associação com fístula traqueoesofágica (FTE). Em ambos os casos, surge com polidrâmnios na gestação e dificuldade na primeira mamada. O diagnóstico é facilmente confirmado pela não passagem de sonda nasogástrica para o estômago e pela realização de radiografia de tórax antero-posterior, lateral e abdominal.


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A cianose é um achado clínico comum nos recém-nascidos. É uma descoloração azulada/arroxeada dos tecidos que resulta de um aumento da concentração de desoxi-hemoglobina nos capilares. Divide-se em cianose central e periférica. A cianose central surge como uma coloração azulada em zonas como a língua, região perioral ou nas mucosas, sendo causada pela redução da saturação arterial de oxigénio. Os recém-nascidos habitualmente apresentam cianose central até 5-10 minutos após o parto. Aos 10 minutos de vida a SpO2 sobe de 85 % para 95 %. A cianose central persistente é sempre considerada anormal e deve ser avaliada prontamente. Pode estar associada a doenças graves, nomeadamente distúrbios cardíacos, metabólicos, neurológicos, infeciosos ou pulmonares, por diferentes mecanismos:

a) Hipoventilação alveolar: causa hipoxemia, resultando em diminuição da saturação de oxigénio e consequentemente cianose. As causas de hipoventilação incluem depressão do SNC (p.ex. asfixia perinatal), obstrução das vias aéreas (p.ex. atrésia das coanas) e distúrbios neuromusculares;

b) Mismatch ventilação-perfusão: causa hipoxemia, resultando em diminuição da saturação de oxigénio e cianose. As causas incluem pneumonia neonatal ou pneumotórax;

c) Shunt direita-esquerda: sangue venoso sistémico retorna ao coração esquerdo sem ser oxigenado, resultando numa diminuição da saturação de oxigénio e cianose. O shunt pode ser intracardíaco (p.ex. doença cardíaca congénita cianótica), através do ducto arterial (p.ex. hipertensão pulmonar persistente) ou intrapulmonar (p.ex. perfusão de áreas não ventiladas do pulmão);

d) Distúrbio de difusão: as moléculas de oxigénio devem passar dos alvéolos para os capilares pulmonares para oxigenar a hemoglobina. A alteração desta difusão resulta numa diminuição da saturação de oxigénio (p.ex edema pulmonar).


cianose periférica surge em situações em que há diminuição do retorno venoso, diminuição do fluxo arterial periférico ou aumento do fluxo de sangue venoso da pele. É habitualmente localizada, assimétrica e unilateral. Afeta tipicamente as extremidades distais e por vezes a região periorbitária e perioral. Recém-nascidos com cianose periférica apresentam saturação periférica de oxigénio normal. A cianose periférica está associada a vasoconstrição periférica, por isso, as extremidades estão habitualmente frias. No recém-nascido a cianose periférica apresenta-se com mucosas rosadas, o que a diferencia da cianose central. A acrocianose é frequentemente observada imediatamente após o nascimento nos recém-nascidos saudáveis. É uma cianose periférica que se apresenta na região perioral e nas extremidades (mãos e pés). É causada por alterações vasomotoras benignas que resultam em vasoconstrição periférica e aumento da extração de oxigénio dos tecidos. Pode persistir durante 24 a 48 horas.

A atrésia das coanas é uma condição congénita caraterizada por obstrução nasal posterior. Está frequentemente associada a outras anomalias: coloboma, defeitos cardíacos, atraso de crescimento, anomalias genitais e dos ouvidos (síndrome de CHARGE). A atrésia coanal bilateral manifesta-se por taquipneia, cianose e hipoxemia imediatamente após o parto. Os sintomas melhoram com o choro e agravam com a amamentação/alimentação. Há ainda risco acrescido de aspiração durante a amamentação. Além disto, na atrésia coanal bilateral os recém-nascidos apenas conseguem respirar pela boca (logo imediatamente no pós-parto) pelo que esta é a opção mais correta (Opção B). Neste caso clínico em concreto, o recém-nascido não se apresentava cianosado pelo facto de estar a chorar, o que leva a respiração pela cavidade oral e consequente oxigenação e perfusão dos tecidos. A atrésia coanal unilateral tipicamente apresenta-se em idades mais tardias, sendo que estas crianças apresentam rinite crónica. O diagnóstico da atrésia coanal é efetuado através da incapacidade de passagem de cateter pela cavidade nasal. Existe a possibilidade de confirmação do diagnóstico por TC ou rinografia de contraste em posição supina. O tratamento é cirúrgico, podendo ser colocado um adjuvante da via aérea até à cirurgia.

 As cardiopatias congénitas estão associadas a cianose central por existência de um shunt intracardíaco direita-esquerda. Ao exame objetivo, S3 ou existência apenas de S2, sopros cardíacos, ausência ou diminuição dos pulsos das extremidades e pressão arterial no membro superior ≥ 10 mm Hg superior à pressão arterial no membro inferior, são achados compatíveis com cardiopatia congénita

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